
Foram, ao todo, 246 posts produzidos durante os 1603 dias de vida do meu roxinho-perturbador. Isso daria uma média, segundo meus cálculos, de um por semana. No entanto, a história não deve ser contada assim. Afinal, o início foi bem mais produtivo. Escrevia muito, sobre vários assunto: do cotidiano à política, me arriscando a comentar até mesmo futebol (sim, algo totalmente inusitado, concordo!).
Falei a respeito de livros, filmes e peças de teatros. Publiquei minhas crônicas, cartas, reportagens (entre outros exercícios de redação produzidos na faculdade) e, quem diria, pseudo-poemas. Aliás, chamo-os assim por não ter nenhuma pretensão poética. Eles são, em verdade, apenas uma deliciosa brincadeira com rimas, escritos em noites solitárias, nas quais somente as palavras preenchiam o hiato existente entre meus desejos e a realidade. Dentre todos, o mais marcante parece ter sido Eu quero um Pedro pra mim, pois, gerou comentários inesquecíveis e homenagem no orkut, de uma de minhas “maninhas” (clari).
As crônicas ganharam vida longe do blog. O Tempo emocionou não apenas colegas e professores, mas o querido Bira, técnico de som da rádio da FAMECOS. Outras como A idade da razão (na “sala’da” comunicação) e Olhos Atentos foram parar no meu portfólio. Contudo, meu apreço por A coisa e eu, A maldição do 33 (Terça-feira, Março 23, 2004) e Cadê meu it (Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006) também são imensos. Revê-las agora chega a dar uma certa nostalgia.
Enfim, é difícil deixar para trás as coisas que amamos. Até porque, embora tenha abandonado o DIZem BUCHA no último ano, continuo louca por ele, por todas as divagação expostas ali: da filosofia barata das frases do momento, em particular a minha criação-mor “o amor é uma merda, mas a falta de amor, ou de alguém para amar, é a própria prisão-de-ventre"; às doidices de Notícias Bizarras - coisas maluca que ocorrem no mundo – como as histórias mirabolantes à la Hitchcok: Ancião vive com cadáver da mãe, por cinco anos, na França ou, ainda, ao estilo cômico de Richard Beijamin, em um dia a casa cai: Chão cede e mulher cai nua no apartamento de baixo. Cada link daquele arquivo é como um pequeno pedaço da minha vida (ao menos dos últimos anos dela), com todas as alegrias, tristezas, revoltas e euforias destes (quase) 4 anos e meio que hoje deixo para trás, antes que a Globo-Ponto-Com me expulse. Afinal, minha cota (de não-assinante) chegou ao fim. Por isso, mudo-me para uma nova casa: Arquivos de Gaveta. Trazendo para cá apenas os textos publicados em 2008. Assim, será como começar o ano em uma casa nova, mas com alguns móveis antigos que me lembrarão os bons momentos que passei até aqui chegar. Portanto, só posso dizer Au revoir, mom chéri DIZem BUCHA!
Ilustração: Moidsch
P.S. Este texto também está publicado em: DIZem BUCHA