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samedi 12 juin 2010

Destino profissional (gigante)

Desde muito pequena eu sempre tive um grande problema: encontrar aquilo que eu desejava. Às vezes, eu até achava, mas era impossibilitada financeiramente de adquiri-lo, ou já tinha me cansado de tanta procura. Sem contar que quando eu podia comprar algo, todo mundo já tinha a “coisa” há anos. Se eu ainda continuasse achando legal, até comprava. Se não, continuava me frustrando com outros desejos. Foi um pouco assim que surgiu a idéia de me tornar estilista. Imagina só, eu poder colocar em prática todas aquelas idéias que pipocavam em minha mente? Felicidade suprema! Ainda mais porque eu adorava desenhar. Mas aí veio o vestibular, faculdade pública de moda só em Santa Catarina, e eu definitivamente não tava preparada para uma prova em universidade vocacional. Na parte prática (leia-se desenho) eu mandei tri bem, já nas questões sobre moda e sobre Santa Catarina eu me ferrei bonito. Sem contar que os catarinenses odeiam quem vai pra lá “roubar” as vagas deles. Minha mãe e eu passamos muitas e péssimas, naquela “maravilha de cidade”. O que não me incentivou nenhum pouco a me dedicar aos estudos para o próximo vestibular. Foi assim que fui parar no jornalismo.
E essa história acredito que já andei contando por aqui, mas vale um resumo: achei o máximo ver as pessoas entrevistando, gravando, fotografando e meti na cabeça que meu destino era ser correspondente de guerra. Durante todo o curso procurei fazer as matérias mais barra pesada, visitei presídio, entrevistei michês, fiz os mais variados estágios (em rádio, jornal e TV), li vários livros de guerra e fiz até minha monografia sobre o conflito entre Líbano e Israel (de 06/2006), com pretensões de continuá-la em um mestrado. Tudo, claro, para me preparar para o grande dia. Mas, minha banca foi um pequeno desastre. Depois de todo o sofrimento de análise de 30 edições de um jornal (ninguém em sã consciência analise um corpus tão grande, na graduação) e todas as noites em claro, pra fazer um histórico elogiadíssimo, consegui uns meros 8,9, que não me davam aval nenhum para buscar um mestrado. Além disso, meu estágio de produção de grandes reportagens também foi um desastre, mesmo depois de eu ir a boates barra pesada, sozinha, entrevistar garotos de programa. Tudo porque eu não encontrei um teórico/historiador ou algo que se assemelhe (na verdade eu encontrei, mas o cara tava indo viajar e não me deu a menor bola, quem dirá entrevista) para falar sobre a história dessa classe. Desilusão dobrada e concomitante. Resultado, depressão profunda.
Formada, desempregada, sem nada pra fazer, voltei as origens e entrei em uma pós em moda. Anos de desinformação modística (lembrem, eu queria ir pra guerra) me levaram a participações medíocres, mas limpinhas. Em seguida veio a aprovação e ingresso no curso de letras na UFRGS, com ênfase em tradução-francês (olha onde fui me meter, tenho tremenda dificuldade com línguas e odiava português) e aliando os dois, acabei produzindo meu artigo-final sobre moda e auto-estima, baseado na literatura. Ficou legal até, mas continuação pra quê?
Entre o período da pós e o ingresso na letras, conheci meu excelentíssimo e ele acabou com minhas maiores convicções existenciais. Virei uma mulherzinha chorona (era só dizer que me amava e eu abria o berreiro. Agora, depois de quase 2 anos, superei isso), um tanto consumista (eu era ZERO consumo) e sem a menor noção do que fazer da minha vida - além de amá-lo muito, pra sempre. É claro que a culpa não é dele. Eu já tinha me desiludido absolutamente com a correspondência de guerra depois de tudo o que não deu certo e da falta de emprego. Pra moda, ainda tenho um caminho muito grande a trilhar. E quer saber, eu tenho opiniões muito particulares sobre algumas coisas que os entendidos endeusam e é provável que seja esculachada por minhas heresias. Letras também não é a minha área, eu só entrei lá pra aprender línguas de graça, só que acabei me interessando pelas cadeiras adjacentes. O que não significa que eu quero isso pra minha vida.
Hoje em dia eu sei pouquíssimo sobre o que pode vir a ser meu futuro profissional. Eu sei que sou uma boa repórter (mesmo que esteja desempregada). Eu gosto disso e todo mundo sempre me elogiou. Eu adoro edição de imagens/vídeo. Sou louca por desenhos (mas perdi esse talento, se é que um dia o tive), gosto de pesquisar, saber onde achar coisas baratas, sou aplicada, responsável, gosto de estar sempre aprendendo. Mas já não quero mais me matar no exercício da profissão e esquecer da minha qualidade de vida. Quero ter tempo para o meu amor, para ir ao cinema, ler livros etc. Sou, também, uma excelente organizadora e cuido das finanças melhor do que administradores (hahaha, melhor do que meu irmão, ao menos). E aí, alguém tem uma vaga pra mim?

Ilustração: Bebel Callage

vendredi 19 mars 2010

Eu quero....

A coleção outono-inverno da Dumond tá tão fofa que até aguçou meus instintos consumistas. E olha que sou contidíssima. Mas esse aí debaixo eu QUERO!!!! Se um(a) bom(a) samaritano(a) quiser me dar de presente, meu nº é 37 (em azul, hein?! hahaha).

vendredi 18 septembre 2009

Jogo dos Sete erros (quem imita quem?)

Será que a grana 'tá tão curta que estão dividindo designers?


Via Uno




Datelli

samedi 30 août 2008

TELAS DO EFÊMERO : A COMPOSIÇÃO DE VITRINES

(sim, isso é um artigo!)

1. INTRODUÇÃO

Os contrates existentes, nas grandes cidades, entre o centro e os bairros, são notórios, ainda que tratemos de assuntos que fogem ao óbvio – das diferenças arquitetônicas, de limpeza etc – e passemos a analisar os produtos, digamos, mais efêmeros, como os relativos à moda. Todos sabemos que cada local tem seus próprios códigos e modos de vida. Parece relevante, no entanto, tentar traçar um paralelo entre estes dois ambientes e buscar identificar os preceitos que cada um deles utiliza, quando se trata de vestuário.
Para tanto, optamos pela análise de vitrines de lojas de roupas e calçados, tendo como referência a cidade de Porto Alegre. A escolha dos estabelecimentos se deu de forma aleatória, com a preocupação apenas deles estarem nas ruas (lojas de rua), não dentro de shopping centers, e haver a possibilidade de comparação entre os existentes no centro da capital e em um bairro nobre, aqui ilustrado através do Moinhos de Vento.
Assim, o presente artigo trará quatro fotos que ilustrarão os aspectos de composição e propostas das vitrines. Não nos deteremos, porém, aos objetos e conceitos que possam ser vistos nelas – já que para tanto seria necessária a exposição de um material muito mais extenso –, o que significa que algumas abordagens não terão comprovação visual.


2. TELAS DO EFÊMERO : COMPOSIÇÃO DE VITRINES

As vitrines são importantes meios de sedução dos consumidores, uma montagem que concentra inúmeras áreas que se fundem para criar uma imagem cujo propósito é gerar prazer por alguns segundos" (DEMETRESCO, 2001: 25). São elas as responsáveis pela captação da atenção de potenciais compradores. Para a doutora em Comunicação Semiótica Sylvia Demetresco (2001: p. 15), “uma vitrina deve seduzir o olhar instantaneamente na sua apresentação, de forma a sensibilizar determinado sujeito”. Contudo, é preciso estar atento às transformações ocorridas no último século, quanto ao papel das roupas na construção da identidade pessoal. “O consumidor, agora, seleciona ativamente ao invés de responder passivamente ao que está disponível (CRANE, 2006: p. 455). Portanto, mais do que produtos atraentes, é preciso apresentar “argumentos” suficientes para que o sujeito tenha a necessidade de entrar na loja e adquirir mais “informações” a respeito do que está exposto.
Assim, um bom questionamento para análise parecer ser: como os estabelecimentos comerciais do centro e dos bairros nobres codificam tudo isso? Ou ainda, de que forma eles constroem suas vitrines e que reações esperam do público, além da óbvia compra?
Através de um passeio por duas das mais tradicionais ruas de Porto Alegre: Andradas (no centro da capital) e Padre Chagas (no bairro Moinhos de Vento); fica claro todo o processo de diferenciação entre os dois ambientes. O inverno tardio, de 2008, acabou tendo um papel importante na construção desta apreciação, já que, temendo que as peças de inverno ficassem encalhadas nos estoques, as lojas anteciparam suas costumeiras promoções de final de estação.

A lógica organizacional instalada na esfera das aparências na metade do século XIX difundiu-se, com efeito, para toda a esfera de bens de consumo: por toda parte são instâncias burocráticas especializadas que definem os objetos e as necessidades; por toda parte impõe-se à lógica da renovação precipitada, da diversificação e da estilização dos modelos. Iniciativa e independência do fabricante na elaboração das mercadorias, variação regular e rápida das formas, multiplicação dos modelos e séries – estes três princípios inaugurados pela Alta Costura não são mais apanágios do luxo do vestiário, são o próprio núcleo das indústrias do consumo (LIPOVETSKY, 2003: p. 159).

Desta forma, um componente adicional foi trazido para a pesquisa. A palavra de ordem é: liquidação. Os descontos e termos que derivam dela pululam por toda à parte. Onde quer que seus olhos parem, lá estarão elas em grandes letreiros que, por vezes, ocupam completamente o espaço de exposição das mercadorias. Verificam-se, também, principalmente nos bairros nobres, o emprego de estrangeirismo para anunciá-las. Assim, palavras como Sale ("liquidação") e OFF ("fora") – sempre acompanhada de uma percentagem – tornam-se comuns. Ainda que nem todos saibam os seus significados reais, muitas lojas, mesmo as localizadas no centro da cidade, utilizam-se deste artifício, que acaba sendo assimilado pela população em decorrência de seu uso freqüente.
O diferencial, neste aspecto, entre os dois ambientes é que, no centro, por maiores que sejam os letreiros indicativos de promoções, eles nunca impedem a visão completa do produto, ainda que a dificultem. Já no Moinho de Vento, algumas lojas optam por esconder totalmente a mercadoria. Ou seja, eles ignoram a possível atração do consumidor pelo produto e tentam fisgá-lo através do apelo financeiro, com descontos que podem chegar a 70% sob o valor da compra. Espera-se, portanto, que ao se defrontar com tal incentivo ao consumo, o possível cliente entre na loja para conferir os produtos e se entregue ao poder de persuasão das atendentes que farão de tudo para que ele não saia dali de mãos vazias.
As questões econômicas parecem ser, por sinal, as de maior influência na construção de vitrines no centro da cidade. As lojas mais populares chegam a expor letreiros enormes com as cifras no valor do objeto, espalhando a mercadoria em grande quantidade, sem muita preocupação estética, veja ilustração 4. Os manequins de roupas são, via de regra, agrupados de forma paralela e exibem as tendências divulgadas pelas novelas ou por celebridades – ainda que nem sempre sejam felizes nesta tarefa – como podemos ver na ilustração 1.
No Moinhos de Vento, por sua vez, os preços só aparecem por determinação do Código de Defesa do Consumidor
[1] e, ainda assim, procura-se deixá-los o menos visível possível, como podemos ver na ilustração 2. As lojas se preocupam mais com a criação do ambiente do que em mostrar a roupa. Eles ‘desejam’ vender atitudes, não apenas vestuário; estratégia já reconhecida pela pesquisadora Sylvia Demetresco: “a leitura de uma vitrina sugere um modo de vida, um uso diferenciado de um produto ou uma nova possibilidade de ver um artigo usual” (2001: p. 14). Deste modo, como vemos na ilustração 3, os manequins são postos de forma quase que interagindo entre si. Eles estão totalmente vestidos e usam acessórios que facilitam a composição do ambiente de interação.
Em outro caso, infelizmente sem ilustração neste artigo, no meio de dois manequins, são expostos vários cabides e algumas camisetas com a intenção de criar quase uma forma de arte. Um design que levará o passante a parar e se perguntar: qual é a proposta daquilo? E, se o agradar, de repente leve-o a entrar na loja e descobrir os estilos de roupa que aqueles cabides escondem e se elas combinam com seu modo de vida ou não. Pois, “através da moda e da indumentária é que nos constituímos como seres sociais e culturais, e que decodificamos o nosso milieu social e cultural” (BARNARD, 2003: p. 64).

Ilustração 1: Loja localizada na Rua dos Andradas, centro de Porto Alegre: preços sempre bem visíveis, pouco interesse estético.


Ilustração 2: Loja localizada na rua Padre Chagas, bairro Moinhos de Vento: preocupação com a composição do ambiente


Ilustração 3: Loja localizada na rua Padre Chagas: preços quase invisíveis, descontos em destaque.


Ilustração 4: Loja localizada na Rua dos Andradas: preços em destaque, mercadorias aglomeradas


3. CONCLUSÃO


“A sociedade de consumo”, que se classifica, segundo o sociólogo Gilles Lipovetsky, pela “elevação dos níveis de vida, abundância das mercadorias e serviços, culto dos objetos e dos lazeres, moral hedonista e materialista” (LIPOVETSKY, 2003: p. 159) estruturada no processo de moda, nos levará inexoravelmente a busca pelo prazer, ainda que momentâneo, esteja ele na apreciação do belo ou na obtenção de mercadorias com preços abaixo da média.
Assim, “exposto num espaço comercial, rodeado de um cenário inusitado, o produto entra no mundo dos consumidores, que, enquanto observadores, investem neles determinados valores” (DEMETRESCO, 2001: p. 13) e procuram adquiri-los, por vezes, mesmo quando não teriam condições para isso. Portanto, ainda que existam diferenças de elaboração e subsídios para a persuasão do consumidor, o fator econômico ainda é a principal influência para a organização de vitrines. A sociedade centrada na expansão das necessidades é, antes de tudo, aquela que reordena a produção e o consumo de massa sob a lei da obsolescência, da sedução e da diversificação, aquela que faz passar o econômico para a forma da moda” (LIPOVETSKY, 2003: p. 159).

[1] É obrigatório por lei informar aos consumidores de maneira clara, precisa e ostensiva o valor à vista dos bens ou serviços, conforme determina o Código de Defesa Do Consumidor (Lei nº 8.078/90). A lei federal nº 10.962/04, que regula a afixação de preços em todo o território nacional. http://www.sincopecas.org.br/noticias/?COD=696


4. REFERÊNCIAS

BARNARD, Malcolm. Moda e comunicação. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.

CRANE, Daiana: A moda e seu papel social: classe, gênero e identidade das roupas. São Paulo, Senac, 2006.

DEMETRESCO, Sylvia. Vitrina, construção de encenações. São Paulo: Senac, 2001.

LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.


OBS: Escrevi este artigo para minha Pós em Moda, Criatividade e Inovação (SENAC-RS), no primeiro semestre deste ano. Não posso dizer que ele ficou como gostaria, meus conhecimentos são um tanto limitados (por enquanto). Ainda assim, a professora achou interessante e disse que deveria postá-lo por aqui. Aceitei a dica e resolvi compartilhá-lo. Espero que gostem.

lundi 11 août 2008

Moda e Guerra

Apesar de ter sido considerado, por muitos anos, no Brasil em particular, um assunto frívolo, a moda possui grande importância social. Através dela é possível traçar panoramas bastante representativos de ambientes políticos, econômicos e culturais de cada época. Em vista disto, autores como a historiadora (francesa) Dominique Veillon, através de sua obra Moda & Guerra – Um Retrato da França Ocupada (Jorge Zahar, 270 págs), têm contribuído para devolver a essa industria o valor, por tanto tempo, a ela relegado.
Misturar dois assuntos, em principio, antagônicos, pode parecer estranho. Mas basta começar a leitura para entender a legitimidade da associação. O livro de Veillon mostra como a costura parisiense – que colaborava, na época, para “a subsistência de 20.000 operários e 500 funcionários, além de ter influência direta sobre a vida de outras industrias: têxteis, sedas, peles, rendas, etc.”(pág. 34) – se manteve em funcionamento apesar dos imperativos impostos pelos alemães, durante a Segunda Guerra Mundial.
“No intervalo de uma estação, a vida cotidiana se degradou consideravelmente para uma maioria dos franceses” (pág. 73). Obrigados a disporem de tíquetes para a aquisição de uma cota determinada de gêneros alimentícios, as restrições alcançaram também o vestuário. “Tudo o que toca a moda vê-se atingido pela crise. Em janeiro de 1941 cria-se bônus de calçados e em julho, do mesmo anos, entra em circulação o cartão de vestuário” (pág. 73). Para uma sociedade que se orgulha de ser a vitrine para mundo e que não pretende abandonar tal status, parece impossível a adaptação às regras alemãs. No entanto, a criatividade e o empenho na descoberta de alternativas para a escassez de matéria prima dão resultados. Ainda que seja preciso usar toda a sorte de material: das cortinas de casa aos fios de cabelos deixados nos salões ou recolhidos nos campos de concentração. Tudo é aproveitado.
Os acessórios também ajudam a manter um certo glamour que os trajes perderam. Alguns até ganham ares de símbolo de resistência.
“O chapéu consola uma época sem sorrisos, quando não, ao se optar por uma farsa, por ser um jeito de zombar do ocupante, uma espécie de nariz do mundo. O senhor do momento é ele” (pág. 114).
Apesar de não seguir uma cronologia linear e, assim, acabar se repetindo, Veillon apresenta um texto bastante cativante e consegue prender a atenção do leitor, presenteado-o, ao fim, com a descrição do momento exato em que, após tantas transformações, surge um novo modo de vestir-se, apresentado nas criações de Christian Dior."
Desta vez, a página está virada, a guerra de fato acabou, o estilo new look se lança à conquista do mundo, ao mesmo tempo em que se presta a adaptações múltiplas, em que, o prêt-à-porter ocupará um espaço cada vez maior”. Sem dúvida uma história que vale a pena ser lida. Então.. boa leitura.

......

P.S.: Agradecimento:

Obrigada Digestivo Cultural, pelos novos leitores.

samedi 5 juillet 2008

(Belas e imortais) PIN-UP's

Quando surgiram, no final do século XIX, na França, sua denominação e formas ainda não eram as que hoje conhecemos. Inspirados pela Art Nouveau, em voga naquele momento, Alphonse Mucha e Jules Cheret criam um estilo que influenciou diversos ilustradores e personificou o ideal masculino de mulher.
"As primeiras imagens femininas em poses sensuais tornaram-se propagandas pujantes nos cartazes de uma época em que os teatros de revistas transformavam dançarinas e atrizes em estrelas". Na América, a revista
Life se encarregou de reproduzir o fenômeno, trazendo em suas páginas, em 1887, a chamada Gibson Girl. Um belo exemplar dos dandies, tão coberta e comportada que é difícil associá-la ao protótipo de Pin-up que habita nosso imaginário. "Mas capaz de seduzir os rapazes com seu charme e as moças com suas roupas na moda. Tanto que, em 1903, Charles Dana Gibson era o ilustrador mais bem pago do país".

Além de reconhecimento, o novo século iniciou com produções mais ousadas. Os desenhos de Raphael Kirchner merecem destaque por apresentar, na década de 1920, a vida parisiense através de mulheres sedutoras, com pouca ou nenhuma roupa – por vezes preservando apenas o púbis – e em situações que sugeriam lesbianismo. "Apesar da censura, os traços elegantes do movimento Art Nouveau acabaram por tornar aceitáveis as figuras desnudas, que passaram a estampar de filtros de cigarros a caixas de bombons".
Foi a partir dos anos 1930, no entanto, com o aparecimento de novos desenhistas, como o americano
George Petty e o peruano Alberto Vargas, que o gênero se popularizou de fato. Uma nova estética foi criada, inaugurando o período dourado das, então alcunhadas, Cheesecake. Especula-se que o termo, documentado neste sentido em 1934, seja derivado da expressão better than cheesecake (literalmente: melhor do que bolo de queijo) usada na gíria do começo do século.
Fosse qual fosse a designação, o sucesso destas figuras era incontestável. Tanto que a revista americana Esquire exibira, desde o seu primeiro número, nos intervalos das suas páginas de política e literatura, uma Petty Girl (...) estabelecendo, em 1939, o primeiro ‘caderno central de três páginas’, que deveria ser desdobrado e destacado”.
No ano seguinte, a publicação do primeiro calendário da Varga Girl vira best-seller e as belas garotas, com cinturas quase irreais e pernas desproporcionais, ganham o título de Pin-up’s, referindo-se ao ato de pendurá-las (do inglês: to pin up) em paredes, armários e toda a sorte de locais possíveis. Conquistam também o respeito de revistas como
Time, Cosmopolitan e Look, que vêem nessa estética a possibilidade de trazer mais cor e graça as suas páginas, encomendando esboços das estrelas de cinema.

Ingênuas ou fatais, desastradas ou habilidosas, elas eram idolatradas pelos soldados americanos que serviam as Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial. Estampadas até sobre a fuselagem de aviões, tornaram-se uma espécie de alívio para aqueles que arriscavam a vida nos campos de batalha, sendo, assim, carinhosamente chamadas de “arma secreta”.
Aliás, o entre-guerras acabou sendo, de certa forma, o verdadeiro genitor deste tipo de artista gráfico. Nesta época os desenhos de
Gil Elvgren ganhavam as ruas em cartazes de propagandas de coca-cola, entre outros produtos, imputando a ele o estigma de “chefe da escola maionese” e artista comercial. Não se pode negar, porém, a preocupação de Elvgren em identificar as mudanças sutis ocorridas no American Way of Life.

As modificações foram gradativas, mas perceptíveis aos olhos atentos. Após a “ajuda” dada aos pracinhas, ao “alistarem-se” como enfermeiras ou trajando uniformes da marinha, as garotas do calendário “elevaram-se de símbolo sexual libertino à ‘deusas guerreiras’ e acaba personificando a mulher americana - segura de si e audaciosa”. Tais como as Elvgren’s girls: bonitas e independentes, elas se preocupam com a beleza sem deixar suas outras atividades prejudicadas por isso. Já não dependem dos homens, são elas que colocam água no filtro, assam o churrasco do domingo, votam e até trocam pneus. Diferente das jovens concebidas por Art Frahm que, inocentes, perdem suas calcinhas a qualquer momento.

Zoë Mozert é outro nome clássico do estilo. Ela e Joyce Ballantyne eram os exemplares femininos, dentre a profusão de testosterona, dos traços que enlouqueciam os homens. No Brasil, o representante da classe foi o gaúcho José Luiz Benício da Fonseca. Benício, como é conhecido, foi o responsável pela ilustração de mais de 300 cartazes para o cinema nacional, incluindo as famosas pornochanchadas dos anos 1960. Além de produzir as capas de livros do escritor espanhol Lou Carrigan, que relatavam as histórias da bela Espiã Número Um da CIA, Brigitte Montfort. Assim criou, também, Giselle, para o livro do jornalista David Nassar: A Espiã Que Abalou Paris a qual, não por acaso, era a mãe de Brigitte.

Voltando a América do final dos anos 1940, é possível notar o fenômeno de humanização daquelas moças de papel que, agora, ganham vida ao serem encarnadas por atrizes como Betty Grable (a preferida dos pracinhas) e Marilyn Monroe ou fotografadas como a voluptuosas Bettie Page. Contudo, a glória e liberdade destas modelos estavam com dias contados. Os conservadores anos 1950 iniciaram e impuseram, as pin-up’s fotografadas, papéis mais tradicionais, como o da inocente virgem eterna, relegando, à elas, espaço apenas nas revistas masculinas.

Para piorar, o advento da Playboy, em 1953, acaba tornando ainda mais curta esta trajetória, por desconstruir a imagem quimérica existente até então.

“Por trás das suas reivindicações de liberação sexual, a revista faz da pin-up uma boneca sem personalidade. As poses são previsíveis, as fotos retocadas - as modelos são fotografadas no frio, para que as suas mamas fiquem arrebitadas. A pin-up da geração Playboy ou Pirelli - o calendário da marca de pneus nasce em 1964 - afastou-se do grande público”.


Contudo, a morte desta estética não estava anunciada. Afinal, décadas depois, ainda é possível apreciar criações interessantes, mesmo com estilo mais contemporâneo, um tanto agressivo, como as produzidas pelos desenhistas Jennifer Janesko, Hajime Sorayama e Olivia De Berardinis. Ou ainda, o resgate feito pela revista Vanity Fair, em 2006, em um ensaio com as principais promessas femininas do cinema. Todas em trajes e poses que lembram a época de ouro das cheesecake.



Sem contar com a reencarnação dos espetáculos burlescos (uma corrente que vê as garotas combinarem, no palco, o cabaré com o strip-tease kitsch) de New York, que tem em Dita Von Teese seu mais famoso exemplar. Além, é claro, das diversas anônimas que se travestem para uma viagem ao passado e dos muitos admiradores que se contentam apenas em colecioná-las.


Tudo leva a crer que esta estética ainda perdurará por muito tempo, ainda que sua trajetória lembre, por vezes, uma montanha russa.

FONTES:
Fashion Bubble
Imagens e letras: diversão cultural
Obvius: um olhar mais demorado
Bolsa de Mulher

Dica: Cheesecake and the Art of pin-up