mercredi 24 mars 2010

P.S. Eu te amo

Há alguns anos, numa noite qualquer, zapeando pela minha vasta grade de canais televisivos, assisti a um filme chamado Love and Sex, que foi traduzido como Amor aos pedaços, reprisado hoje no Telecine Light. Em resumo, a trama conta a história de uma jornalista que escreve um artigo sobre seus amores e enquanto narra os episódios do mais relevante, vai apresentando os outros.
Eu não namorava na época, nem sabia muita coisa sobre a vida a dois, mas achei aquela a representação perfeita do amor: começo, meio, fim, recomeço etc.
Adam, o amor relevante, não era nenhum galã. Aliás, se fossemos levar em conta os padrões estéticos em voga hoje, poderíamos até dizer que ele era o oposto do sonho de consumo de qualquer mulher.
No entanto, Jon Favreau conseguiu dar ao personagem um charme irresistível. Acredito que tenha sido a semelhança com a vida real a responsável por me fazer considerar aquela comédia boba tão legal. A graça era por eles não estipularem metas, nem se prenderem a padrões sociais ou a falsos moralismos. A primeira vez que Kate (Famke Janssen) soltou um pum na cama, por exemplo, ao invés de reprová-la ou achar aquela ação nojenta, Adam a abraçou rindo. Sabe o que isso significa? Intimidade. E intimidade embora pareça, às vezes, nojenta para quem está de fora, é uma delícia para aqueles que desfrutam dela sem medo. Posso ver isso com ainda mais nitidez hoje, pois achei meu Adam. A diferença é que o meu (além de não se chamar Adam) é LINDO.

vendredi 19 mars 2010

Eu quero....

A coleção outono-inverno da Dumond tá tão fofa que até aguçou meus instintos consumistas. E olha que sou contidíssima. Mas esse aí debaixo eu QUERO!!!! Se um(a) bom(a) samaritano(a) quiser me dar de presente, meu nº é 37 (em azul, hein?! hahaha).

lundi 15 mars 2010

Minha vida sem mim


Às vezes parece que estou vivendo em um corpo alheio. Que minha alma se perdeu (em algum momento) e outra pessoa assumiu o comando cerebral. Coisas que( jamais) se quer pensei em fazer, são praticamente rotina. Outras que desejava com veemência acabaram deixadas de lado. Tudo mudou. Mas, apesar de ter descoberto o que, de fato, é a felicidade, não sei se dentro de mim essa mudança foi (mesmo) para melhor.
Talvez a leitura de Minha razão de viver: memórias de um repórter, de Samuel Wainer, esteja provocando em mim um certo saudosismo precoce de minhas convicções profissionais e da dedicação que tive durante minha formação como jornalista. Em verdade, fôra de pouca valia todo o esforço, já que hoje não tenho emprego, meu diploma não vale nada e toda a experiência que adquiri está caducando. O problema é que já não sei mais o que fazer, o que quero ou para onde ir. Então, fico aqui, tentando me reencontrar e conhecendo melhor essa estranha pessoa que comanda minhas ações e que não deseja outra coisa se não aproveitar cada segundo deste mundo novo que o amor verdadeiro e recíproco lhe reservou.

Ilustração: Sujean Rim

mercredi 3 mars 2010

Agora nas férias...

- vou ler mais,
- colocar aparelho,
- assistir vários filmes,
- escrever bastante,
- arrumar nossos quartos e colocar cada coisa em seu lugar...

Como minhas aulas na UFRGS só iniciam na próxima segunda-feira, dia 8, ainda posso usar este advérbio sem o menor problema. Discussões temporais à parte, o fato é que todo mundo planeja mil coisas para fazer nas férias e no fim, como as promessas de ano-novo, estes projetos quase sempre são abandonados pelo caminho. Já fiz isso inúmeras vezes, sem nunca me cansar de formular novos planos.
Este ano, no entanto, acabei fazendo tudo aquilo que havia programado: li – dois livros apenas, mas já é um começo, ainda mais considerando que minhas férias de verdade só começaram de fato em fevereiro. Coloquei aparelho ortodôntico para consertar os desvios do sorriso “mais lindo do mundo”. Arrumei a bagunça das estantes do quarto do meu namorado, reservando lugar até para futuras aquisições de blue-rays, CDs, video-games, livros etc. Assisti bons filmes no cinema, DVD etc.
Enfim, só fiquei devendo, mesmo, novos posts. É por isso que estou aqui. Decidi que escreveria tudo aquilo que viesse a minha cabeça, seja bobagem ou não, com estilo ou sem, com erros de português, repetições de palavras e o escabáu. O que não dá mais é para ficar parada, pois isso é o que está me deixando enferrujada. Então, recomendo que aqueles que só desejam ler coisas de fato interessantes e informativas voltem daqui a um mês ou dois. Até lá!

Ilustração: Sujean Rim

vendredi 12 février 2010

Saudades

Saudades de mim. Saudades de quando eu tinha alguma razão ou de quando não estava sempre errada. Saudades de uma época em que eu não era A CHATA – ou, ao menos, não a única. Saudades do tempo em que alguém – mesmo que raramente – me defendia/protegia.
Saudades do tempo em que eu não era considerada um animal, um ser irracional, um monstro.
Saudade de uma época em que eu podia fazer minhas próprias escolhas sem ficar atrelada aos mandos e desmandos de terceiro, quartos ou quintos. Saudades de quando eu podia chorar sem que isso fosse considerado drama. Saudades de minhas quimeras, de tudo aquilo que sonhava que teria quando finalmente tivesse alguém. Saudade do colo da minha mãe, o lugar para onde eu corria quando estava sozinha. Mãe, que vontade de correr praí agora.

vendredi 8 janvier 2010

Volver a comenzar


Dia 12 de janeiro entrego o artigo final da minha pós. Como as minhas aulas na UFRGS só acabaram no dia 23 de dezembro, sobrou pouco tempo para fazer outra coisa senão me dedicar à faculdade, por isso fique longe. Mas agora, nas férias, espero voltar ao meu cantinho do coração. Por enquanto, deixo os raros visitantes deste espaço na companhia de Café Tacuba e sua linda canção Volver a comenzar (título, aliás, mais do que apropriado para o momento). Descobri ela jogando Little Big Planet com meu namorado. Espero que gostem!


Volver a comenzar - Café Tacuba

Si hiciera una lista de mis errores
De los menores hasta los peores
Que expusiera todas las heridas
Los fracasos, desamores y las mentiras

Ofreceré el aroma del ámbar
Ofreceré el cedro y mis lágrimas
Con la paciencia del mar, esperaré
Todo una vida a que sane la confianza

Si volviera a comenzar
No tendría tiempo de reparar

Si hiciera un viaje hasta mis adentros
Y sobreviviera a los lamentos
Pediría fuerzas para decir cuanto lo siento
Si volviera de un viaje a mis adentros

Si volviera a comenzar
No tendría tiempo de reparar
El agua derramada está
La sed que siento no saciará

¿Cuantas cosas más puedo guardar?
¿Cuantas cosas puedo a atesorar?
Dulce tentación de dejarlo todo

¿Cuanto espacio más quiero ocupar?
(Hasta los recuerdos ya no caben en este lugar)
¿Cuantas cosas me puedo llevar?
(La última mudanza debe ser la más ligera)
Dulce tentación de dejarlo todo
Dulce tentación regalarlo todo

Si volviera a comenzar
No tendría tiempo de reparar
El agua derramada está
La sed que siento me sanará
El agua derramada está
La sed que siento me sanará

lundi 16 novembre 2009

Esqueci meu título matador (recuperado)


Penso, logo existo (ou deveria dizer: desisto)? Se essa máxima de Descartes for verdadeira, minha ânsia por existir deve ser tão gigantesca que meu cérebro não é capaz de conter. Afinal, não consigo ficar um segundo sequer sem matutar alguma coisa, por mais minúscula ou inútil que seja.
Não fosse a minha completa falta de tato ou inteligência social isso talvez fizesse de mim uma grande pensadora, daquelas que sai por ai dando palestras e escrevendo livros comentadíssimos e sempre citados. O problema é que minha memória é um caos e sempre que eu resolvo passar para o papel meus insights tudo parece tão banal e desnecessário que não sigo adiante. Ou, acabo fazendo outra viagem e fugindo de tudo o que pretendia escrever, pois, meu cérebro já se desconectou daquele primeiro pensamento e os neurônios estão fazendo conexões outras, totalmente opostas ou fora de propósito.
O que poderia ser uma vantagem (ter um cérebro sempre pensante), acaba sendo uma tragédia por que começo a ler uma coisa e num piscar de olhos fujo daquelas linhas e passo a delirar em meio a outro assunto.
Como se não bastasse, o fato de pensar demais me causa extremo tormento também quando decido comprar algo de alto custo. Minha criação não me ensinou a decidir por conta própria, sem saber antes tudo o que pode ou não dar errado depois desta compra. Minha mãe era o sonho de qualquer criança (que ainda não tem consciência do valor das coisas). Para ela tudo era possível. Ainda que ela nos tivesse ensinado quanto cada coisa custava e qual o valor que tínhamos disponível, sempre que queríamos muito algo, ela arrumava um jeito de suprir nossas necessidades, nem que isso a obrigasse a trabalhar triplicadamente. Em compensação, meu irmão que desde criança só pensava em como obter lucros financeiros (ele vendia os engradados do meu pai e tudo o mais que via pela frente, ainda quando tinha uns 10-12 anos) vivia me impelindo a não ter ambições já que não tínhamos condições de saná-las. Assim, desde cedo eu tive que tentar descobrir em que patamar se encontrava o meu desejo, entre o “tudo-pode” e o “nada-pode”. Consequência disso é a minha total falta de noção para lidar com preços. Sempre acho tudo muito caro e, ao invés de valorizar as coisas, valorizo mais o dinheiro. O que me faz poupar loucamente e nunca saber como usar a poupança depois. Por mais que eu precise de algo e tenha condições de comprar, sempre fico confabulando se aquilo é bom o suficiente ou se vale mesmo o quanto custa. Assim, vou perdendo as oportunidades por medo de me arrepender depois. Por estas e outras que, mesmo sem computador em casa há mais de uma semana, ainda não comprei um bendito notebook que livrará meu namorado do tormento de levar de um lado para outro o dele. Calma, meu amor. Uma hora eu me decido!

Ilustração: Kevin Dart